quinta-feira, 2 de junho de 2011

Capoeira...Retorno...Criança...

Vou falar muito da Capoeira aqui, mas não vai ser dessa vez que vou defini-la, nem o que é realmente, nem o que significa para mim, seguirão apenas algumas palavras ao vento.
Trabalhar com Capoeira onde ela é pouco conhecida é bastante complicado. Entendo que as pessoas acreditem em coisas que são palpáveis, visíveis, que já dão retorno, mas não posso aceitar que não seja dado apoio a coisas que não conhecem e não querem conhecer. Vou deixar os votos de indignação acabarem por aqui, quero é falar um pouco do retorno que tenho, que não pode ser medido monetariamente.
É bem sofrida a vida do Capoeira, literalmente para os pés, calos, couros arrancados, cortes, etc. Treinamentos até o corpo chegar a exaustão, técnicas novas que não entram na cabeça, dão a sensação de burrice extrema, ainda mais quando o colega do lado entende e executa de primeira. Mas isso é como a matemática, exata, quanto mais treino melhor a técnica, palavras do Palhaço Cuti-Cuti, transportadas para Capoeira se adaptam muito bem: "O Palhaço é uma alma livre presa a um corpo burro"; O Capoeira é uma alma livre presa a um corpo burro, a diferença é que na Capoeira podemos treinar, treinar, treinar muito, assim esse corpo vai deixando de ser burro e isso será excelente para o atleta. O Palhaço não tem essa preocupação com a perfeição, se o público amar o que deu errado, essa é a grande vitória. Na roda, algo errado, algo machucado, pelo outro ou sozinho mesmo, como em qualquer outra atividade física. Ah! o retorno né...
Então, palavras proferidas por alunos como: "minha vida mudou depois que entrei pra Capoeira"; "se Deus quiser nunca mais quero parar com a Capoeira"; olhares brilhantes, cheios de vida, de esperança, de admiração; reações puras, verdadeiras, isso sim é retorno. É LÓGICO que se o retorno financeiro fosse maior, as coisas seriam melhores também, mas esse combustível no coração da pessoa faz com que ela não pense muito nisso.

Reações como a que eu, graças a Deus, pude vivenciar no dia em que convidei o pessoal pra fazer uma limpeza simbólica do rio Passo Fundo, que dá nome a nossa cidade, é que são minhas incentivadoras.
Convidei o pessoal para, num sábado a tarde, ir na beira do rio (que está uma imundície) para retirar um pouco do lixo, além de eles toparem e aparecerem, quando quis parar, eles quiseram continuar, disseram que ficariam horas lá limpando o rio! Aí fico sem reação, mas como seria bom se depois de crescidas as crianças continuassem fazendo tudo com o coração, sem pensar em nada de mais ou de menos, se o que estão fazendo lhes faz bem e não é mau, continuam, até que uma ou outra criança adulterada, de acordo com Marcio Libar (adulto é uma criança adulterada, olha o segredo da palavra) faça com que eles parem, se foram as atitudes de inocência, pureza, acabou o aprendizado. Cuidamos para não acabarmos com as CRIANÇAS, nem aquelas que moram conosco, em nossos corações.
*Esse lixo juntado é o resultado de cerca de meia hora, num lado do leito do rio de aproximadamente dez metros.
Abraço!!

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