terça-feira, 31 de março de 2015

Eu sou O Cara!

Sempre encontrei desculpas por não ter realizado algumas coisas, pior que isso, acreditei nelas. Sempre pensei que era diferente, não pertencia a essa ou àquela turminha na escola. Não era nem dos populares nem dos “nerds”, não era gay mas sempre estava com as meninas, sempre fui um bom amigo e péssimo amante. Amava, mas só amava, não fazia muita coisa pra mudar isso. Pratiquei todos os esportes a que tive acesso, em nenhum, sucesso. Quando chegou a hora de começar a trabalhar, qualquer coisa servia, afinal eu não estaria brincando mesmo. Com esse mesmo pensamento segui a vida de adolescente.
Conheci a capoeira aos 16 anos, tomei conhecimento de que existia um mundo além dos muros da minha cidade, foi demais, tinha vigor para qualquer coisa pois sabia que no final do dia, em qualquer lugar desse mundo, teria uma roda de capoeira pra jogar. Mas claro, não fui um sucesso. Através dela cheguei ao mundo das artes cênicas, trabalhando em performances muito lindas e maravilhosas. Comecei no teatro, junto com a faculdade de direito, segui em ambos até onde deu, até o fim da faculdade, formei e larguei.
Seguindo nas artes, conheci e tomou conta de mim a nobre arte do Palhaço, até que enfim algo que quero ser na vida! Assisti tudo que pude, estudei o que deu, fiz cursos... cito “só” dois: “A Nobre Arte do Palhaço”, com Marcio Libar e “O Palhaço e o Sentido Cômico do Corpo”, com Ricardo Pucetti. Agora sim, é isso!!! Continuei achando que era especial, afinal trabalhava com o que amava, quem mais pode fazer isso? E nesse tempo, a vida pessoal ia passando, aos 29 anos sofri demais por um amor, acho que pela primeira vez sofri de verdade por amor. Pra piorar, veio uma crise de trabalho junto. Resumo: amor perdido e desempregado. Dizem, foi a crise dos 29, se todos tem não sei, mas eu conheci ela.
Lá do fundo do poço ressurgi, aprendi, senti uma evolução interna incrível! De verdade, passei a ver e entender coisas que sabia de teoria, de boca, de ouvido. O trabalho voltou e novos amores também. – Obrigado universo, tenho uma vida de novo e tudo vai indo bem. Comecei a me sentir especial de novo!
Bom, agora, aos 31 anos estou desempregado novamente, fora de forma (sem treinar capoeira), financeiramente quebrado e ainda levei um calote. Descobri que continuo me achando especial, como foi a vida toda. Não tenho nada, não conquistei nada, moro nos fundos da casa dos meus pais, como na casa deles, minha mãe lava minhas roupas e agora ainda pagam minhas contas.
Mas agora percebo que não tenho nada de especial, estou conhecendo o fracasso de vez, pois me acho um fracasso. Não posso sequer treinar a capoeira, não sou um palhaço, não sou um advogado, não sou um bom filho. É uma sensação terrível saber que, se morresse hoje, não deixaria legado algum, exemplo positivo nenhum, o que sempre pensei que fosse durante a vida. Morro de vontade de montar um espetáculo mas não tenho capacidade de criar nada, já acho que isso é bom, porque talvez não saia nada que preste, pois sou um ator medíocre e aspirante a palhaço. Só me resta uma maneira de sobreviver (so-bre-vi-ver), pegar o diploma de bacharel, colocar debaixo do braço e ir procurar emprego, trabalhar como uma pessoa normal, sem nada de especial.
Talvez daqui a pouco, depois de sentir na carne o que é ser um fracasso, eu esteja habilitado a começar a estagiar na arte da Palhaçaria. Quem sabe eu comece a fazer uns cursos de palhaço como terapia, como fuga, do lugar onde estarei para onde um dia eu já pensei estar.
Vendo o lado bom, nessas três décadas, acho que já vivi de verdade o que muita gente não viveu a vinda inteira, enquanto deu, fui intenso, fui o que eu era. Agora é colocar uma máscara de outro eu e ir pra esse mundo, que não é a terra do nunca.

02/02/2015

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Raciocínio, lógico?


Fico pensando aqui, que deveria ser raciocínio lógico (embora não entenda muito disso, nem de resolver, muito menos de criar), mas segue na ideia aí.
A "sociedade" é composta por pessoas. Eu sou uma pessoa, logo, sou parte da sociedade.
A sociedade, assim como eu, pensa que é mais importante "Ser" do que "ter".
Mas como pode, pegando um exemplo, um advogado, devidamente credenciado, aprovado na OAB, que concluiu uma faculdade, não poder realizar uma audiência de abrigo?

A mesma pessoa pode realizar a mesma audiência de terno. É mais importante Ter ou Ser?
Quando a pergunta é:
- Quem é você?
A resposta quase sempre vem da pessoa falando de sua profissão e formação. Sim, isso faz parte de quem se é, mas não somos só isso!

Acredito que, em entrevistas de emprego, essa pergunta não deveria ser feita. Há muito não sei o que é entrevista de emprego, mas hoje, se fosse fazer, responderia essa pergunta com uma resposta beeemm extensa. 
- Sou uma pessoa otimista, quase sempre de bom humor, embora, as vezes, fique num péssimo humor. Acredito no amor, apesar de sofrer muito por ele. Gosto de viver a vida intensamente. Adoro meus amigos e gosto de que eles saibam disso. Pra mim o trabalho deve ser feito de duas formas: ou porque se precisa do dinheiro e para isso ele precisa ser bem feito; ou porque ama o que faz, aí ele também precisa ser muito bem feito.

Adoro praticar esportes e tentar fazer as pessoas fazerem o mesmo. Gosto muito de ajudar as pessoas, embora algumas vezes eu acabe atrapalhando, mas nunca de má intensão. 
Enfim, acho que me encaixo na vaga porque gostando ou não eu trabalho e me entrego ao máximo. Onde assino?
Seria eu contratado? Acredito que não. A sociedade acho isso bonito, mas não empregaria uma pessoa só pela sua filosofia de vida. Ser bom é bonito, mas ser  mas não é o bastante pra sobreviver em meio a sociedade. 
Infelizmente, é preciso ter algo para provar que se é algo!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Vidas da Vida

Independente de crer que temos mais de uma vida, que já tivemos outras vidas e teremos ainda mais, percebi que temos várias vidas na mesma.
No meu caso, tive uma infância com um tanto de dificuldades, mas não lembro muito. Minhas melhores lembranças começam na escola, essa sim foi uma vida intensa e pura. Tenho amigos daquela época e muita saudades dela. Foi nessa vida que fui formado, minhas bases foram feitas. Não perde as contas, duas vidas.
Adolescência, escola nova, novas escolhas, novos aprendizados. Experiências novas, maravilhosas, deliciosas e dolorosas. Comecei a me apaixonar e amar, conheci as flores e os espinhos dessa vida, que ainda não aprendi sobre o assunto. Já não sei mais quantas vidas...
A vida adulta vem sem que a idade e a vontade de tê-la embarque junto. Trabalho, cobrança, menos tempo de se despedir da infância. Decisões difíceis com consequencias graves, se erradas. E ainda nada de compreender o amor. Em cada uma delas temos outras. Trabalhador, atleta, romances e o ser humano só, em si mesmo. Temos nossas vidas e nossas tribos, onde somos um pouco diferentes em cada uma delas.
Temos uma vida quando solteiros e outra quando compromissados. E passamos todas as vidas com dúvidas que, uma única resposta, pode mudar tudo da noite para o dia. Enfim, temos de tentar aproveitar ao máximo cada uma delas.

E para comprovar sobre as vidas, fotos de muito tempo atrás (muito mesmo). Entre elas, pouco tempo de diferença, nessa diferenças, mais de uma vida!


terça-feira, 17 de junho de 2014

Caindo na real

Era uma vez o discípulo de um mestre que só respondia por sinais, os quais ele levava dias, meses, anos para acontecer. O questionamento do momento era que o discípulo, enquanto ia orar, passou a pensar mais perto, mais na vida real e menos nas filosofias e no conhecimento de mundo.
Estava a pedir pelas pessoas que gostava, que amava. Foi lembrando de amigos e de ex-namoradas, quando um pensamento veio à sua mente, tocou seu coração o fez cair em profundas lágrimas.
- como sou insignificante! Sou capaz de dizer "eu te amo", a uma qualquer (sem ofender às pessoas, o problema é exclusivamente meu), que conhecia há um mês e ainda não fui capaz de falar isso pra minha mãe! Não falei isso pra ela, nem para o meu pai, nem para as minhas irmãs, sequer para minha vó.
Relatou ao mestre que foi pensando na avó, que viu sua infinita insignificância, uma vez que foi orar por eles e logo começou a chorar. Todos os dias seu pai lhe falava que a avó havia rezado por ele. Seu pai e sua mãe sempre o desejavam: -Fique com Deus meu filho.
Ainda hoje, muitas vezes, chega em casa emburrado, todo errado na maneira de falar com seus pais. Confessa que gosta do abraço que dá neles, mas, também, as vezes é só por obrigação mesmo. O pior é que sente que eles estão se doando por inteiro e ele, ainda assim, refugando todo aquele amor, que ansiava por sua volta.
Entre suas dúvidas, uma dizia respeito a esse descaso com os seus. Como, em uma única oração, ele teria algum direito, como ele poderia ser alguém na fila dos pedidos? Com uma oração em décadas de vida?
Ele acreditava ter sofrido bastante com perdas de namoradas, de amigos, sofreu muito e por muito tempo, talvez tenha chegado perto da tal depressão, mas naqueles poucos instantes em que se colocou no seu lugar, sentiu a pressão, sentiu a depressão.
Se sentiu um nada, sentiu apenas que não era digno de tanto amor e, no seu senso de justiça, não merecia sequer estar vivo.
Pediu, se pelo menos ele teria como repassar essa história, para que outras pessoas pudessem não cometer o mesmo erro dele.
Enquanto ele aguarda o sinal, sua história roda.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Desabafo...

É óbvio que preferia estar com alguém!
Não sei se estou certo ou se estou errando muito.
O que eu realmente quero é alguém "que me queira amar também", não precisa nem se entregar do mesmo modo que me entrego, mas que se doe um pouco pelo menos.
Quero alguém que goste de receber carinho sempre, e dar carinho de vez em quando. Goste que eu fique bajulando, cuidando e me preocupando. Pode até se preocupar um pouquinho comigo.

Alguém que, não apenas queira estar comigo, mas deseje estar comigo. Para bons e maus momentos, porque a vida é assim!
Reciprocidade.
Só quero poder amar e ser amado. Sim, não nego, quero ser especial para alguém e ter alguém para ser especial pra mim.

Sim, já tive e perdi, por isso acho que mereço ter uma pessoa e ser dela.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Estar vivo

Nesses tempos de tormentas, um sopro de alívio me veio, sei lá de onde, deve ser o universo dando aula particular.

Sempre pensei que Viver, de verdade, era somente nos momentos felizes, momentos de alegrias. Normalmente proporcionados por pessoas que amamos, familiares, amigos ou uma pessoa que estamos amando no momento, ou, ainda, apenas apaixonados (só sei da diferença com o tempo). Mas o fato é que eram em momentos assim que me sentia vivo, completo, feliz, cheio de vida.
Agora, de novo, sofrendo por uma paixão, percebi que o sofrimento também é vida, decepção também é vida, desilusão também, problemas também o são! Questão lógica, se estamos sofrendo estamos vivos!!!

É claro que é muito ruim passar por maus bocados, no meu caso, no que se refere ao coração, sofro demais, vejo a importância desse momento tortuoso, depois, vem uma sensação incrível de preenchimento total.
Se os momentos ruins são muito ruins ou se demoram mais, não sei, só sei que se temos que aprender a viver com eles, ou não estaremos vivos o suficiente quando chegar a bonanza.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Qual é o tamanho?

Qual é o tamanho do amor?
Qual é o tamanho do amor correspondido?
Qual é o tamanho do amor de carnaval?
Qual é o tamanho do amor dos dois?
Qual é o tamanho do amor de um só?
Qual é o tamanho do amor nas tentações?
Qual é o tamanho do amor na alegria?
Qual é o tamanho do amor na tristeza?
Qual é o tamanho do amor nas desilusões?
Qual é o tamanho do amor quando um não quer mais?
Qual é o tamanho do amor quando o tempo passa?
Qual é o tamanho do amor que nunca passa?